A consultora britânica Drewry continua a aconselhar cautela quanto à propalada recuperação do sector marítimo em 2012. Apesar dos aumentos tarifários, o retorno à rendibilidade está ameaçado pelo excesso de capacidade e um ambiente de negócios incerto.

No seu prefácio ao estudo trimestral sobre fluxos de contentores, a consultora observa que, embora as transportadoras marítimas tenham tido sucesso, no início de 2012, na passagem para o mercado dos aumentos das tarifas que irão contribuir para melhorar a sua muito enfraquecida situação financeira, no horizonte surgem uma série de ameaças que podem fazer "descarrilar" esta melhoria.

O retorno à lucratividade saudável não está, de modo algum, garantido. O crescimento da procura de transporte permanece incerto. E a consultora prevê a deterioração dos lucros em 4,6% em 2012, na comparação com 2011. Os aumentos na produção ocorridos a partir da Ásia para os Estados Unidos e a Europa tiveram o condão de puxar as empresas transportadoras para a linha de água, mas "até muito recentemente, nem mesmo os navios de 15.000 TEUs foram capazes de cobrir os custos nas rotas entre o Extremo Oriente e a Europa".

Para 2011, Drewry reviu em alta a sua estimativa de perdas financeiras das operadoras de contentores: são pelo menos 6,5 mil milhões dólares com um crescimento da procura de transporte de 7,4%. A isto acrescem os resultados do primeiro trimestre de 2012, previsivelmente decepcionantes. Numa estratégia impensável há alguns anos, as operadoras foram obrigadas a unir-se para reduzir a capacidade e os custos de transporte entre o Extremo Oriente e a Europa.