O modelo de gestão dos portos e o poder sindical têm de ser alterados, tendo o Governo reconhecido  que essa é uma nova prioridade. É uma das alterações ao roteiro ditadas pela troika, que esteve em Portugal na semana passada. Avança a solução “holding”.

A reforma do sistema portuário junta-se à renegociação das PPP no topo das prioridades das reformas estruturais ditadas pelo Memorando de Entendimento da troika, ultrapassando em prioridade o setor energético.

A necessidade de mudanças  no sistema portuário português ganhou prioridade máxima na agenda de reforma estrutural, admitem fontes nacionais e da troika. O objetivo confessado é aumentar a concorrência e a eficiência da gestão e flexibilizar as relações laborais no setor.

A justificação é a de que é necessário cortar custos que pesam sobre toda a economia e potenciar Portugal como um "player" europeu nesta indústria. Será aplicado aos portos um modelo semelhante ao da ANA para os aeroportos.

Se o primeiro dos objetivos é pacífico – e Portugal , por via da Janela Única Portuária, é já um dos mais inovadores – o segundo objetivo, isto é, a flexibilização as relações laborais, promete vir a constituir um quebra-cabeças para os agentes económicos do setor, face à história recente das lutas que caracterizam a atividade da mão de obra portuária.

Diga-se, por ser verdade, que esse “poderio” sindical deve hoje ser relativizado, pois tanto em Sines, primeiro, como em Leixões, mais recentemente, já foram assinados acordos de flexibilização que vão a par com o que a troika preconiza.  O que garante, em princípio, que o sistema não deverá registar os bloqueios totais que em tempos tanto mal causaram ao setor e a quem a ele necessita de recorrer.