
A linha ferroviária de Lisboa a Madrid aceita comboios de mercadorias, e não apenas passageiros. Mas deste lado da fronteira esta vantagem competitiva poderá ser desaproveitada, se a linha mista "morrer" no Poceirão, como está previsto.
Pires da Fonseca, presidente do CA da Takargo, diz que é um erro e um desperdício de dinheiros públicos deixar a linha UIC no Poceirão, ao invés de a fazer seguir para Bobadela, Setúbal e Sines, tornando estes portos mais competitivos do que o de Valência para servir a região de Madrid.
A diferença é, "apenas", um ganho superior a 200 km na ligação entre as duas cidades, para as mercadorias; e deveria obrigar à revisão do plano português de efectuar uma via dedicada de bitola ibérica entre Évora e Caia, que após a fronteira se dirige, já do lado espanhol, em direcção a Puertollano, onde entronca com a linha Madrid-Algeciras. Por outras palavras, essa linha seria dinheiro deitado à rua, porque, com ela, Valência será um porto ainda mais prioritário para alimentar Madrid.
O presidente da Takargo afiança à CARGO online que, a não ser feita a ligação aos três portos, a empresa que dirige não utilizará essa nova via UIC, porque a ruptura de carga que forçosamente existirá no Poceirão lhe retira a vantagem competitiva, inviabilizando a sua exploração comercial. Pires da Fonseca defende que a verba que irá ser gasta na ligação em bitola ibérica entre Poceirão-Caia, e Sines-Poceirão mais o desperdício feito na variante de Alcácer do Sal, permitiria ligar ao Poceirão os portos de Sines, Setúbal e Lisboa (Bobadela) em bitola UIC.