«O turismo em Portugal continua em franca expansão batendo recordes ano após ano. A par das regiões turísticas portuguesas por excelência, como é o exemplo do Algarve, existem outras, tais como Lisboa e Porto, que apresentam taxas de crescimento pouco comuns, de tal forma que, segundo a PricewaterhouseCoopers (PwC), no seu estudo "European Cities Forecast", prevê que Lisboa e o Porto serão, respetivamente, as 2º e 3º cidades com o maior crescimento turístico em 2017, num universo de 19 cidades europeias.

Se pensarmos que Lisboa, desde 2015, lidera o ranking nacional do número de hóspedes (5,2 milhões nesse ano e 5,6 em 2016), rapidamente nos apercebemos que esta alteração dos padrões e dos níveis de consumo urbanos, conduzem a uma maior complexidade à distribuição das mercadorias, fruto de vários fatores, dos quais entre eles destacamos o aumento das quantidades transportadas, dos pedidos diários de abastecimento e ainda do número de destinos dentro da cidade de Lisboa. Este último fator encontra-se muito longe de estabilizar se considerarmos a quantidade de edifícios em Lisboa que, após longos anos de encerramento, se encontram em fase de reconversão para espaços comerciais e hotéis.

Os decisores locais confrontam-se, assim, com uma equação de difícil resolução e que se baseia em encontrar a solução para as necessidades crescentes de consumo das cidades, provocadas pelo incremento do turismo, sem recorrer a um aumento proporcional da frota de distribuição com todas as consequências inerentes - poluição atmosférica e sonora, trânsito e insegurança rodoviária – e que são fatores que degradam a qualidade da oferta turística e consequentemente a capacidade de atração de mais visitantes.

Neste sentido, a logística urbana desempenha um papel cada vez mais preponderante na garantia da qualidade da oferta turística, através da aplicação de soluções logísticas que respeitem a filosofia de agregação dos fluxos físicos, da preocupação com o ordenamento e da qualidade de vida urbana respeitando sempre, ao mesmo tempo, elevados padrões de nível de serviço.

No fundo, trata-se de desenhar e implementar soluções de distribuição urbana de elevada performance mas, que ao mesmo tempo, sejam “invisíveis” aos olhos dos turistas.»


Mestre Paulo Pereira, Docente da Pós-Graduação em Logística e Gestão de Operações do ISG | Business & Eco