Em Espanha, a instabilidade em torno da mão-de-obra portuária mantém-se, com posições extremadas entre o Governo e os sindicatos - apesar de, por agora, as greves estarem 'suspensas'. Porém, o momento de turbulência tem aberto oportunidades a portos vizinhos e o porto de Sines é mesmo visto como um dos que poderá tirar maiores benefícios.

Num artigo recente do jornal espanhol 'Voz Pópuli', é apresentado um leque de portos que «estão sendo os principais beneficiados da crise provocada pelo processo de reforma da estiva em Espanha», sobretudo no arco do mediterrâneo. É nesse leque que aparece o porto de Sines cujos «preços competitivos» e os «planos de crescimento» são vistos como «ameaça à supremacia dos portos de Algeciras ou Valência».

O artigo refere mesmo que a situação de instabilidade nos portos espanhóis «começa a provocar estragos nos principais portos espanhóis, que veem como a mercadoria começa a desaparecer das suas estatísticas e a engrossar a dos competidores internacionais» - recorde-se que, no caso de Sines, a movimentação de contentores nos primeiros meses do ano tem trazido novos recordes.

O porto de Sines surge referido como «uma instalação muito mais modesta» quando comparada com outro grande concorrente dos portos espanhóis - o porto de Tanger Med - mas que, ainda assim, «nos últimos anos teve um crescimento espectacular». «Em apenas dois exercícios duplicou o volume de contentores movimentados no seu terminal, superando largamente a barreira do milhão de TEU, algo totalmente inimaginável no início da década».

A mesma notícia salienta ainda que o porto de Sines se apresenta como uma ameaça ainda mais forte por se perfilar «como um dos portos com preços mais competitivos de toda a região», salientando as tarifas que «chegam a ser até 45% mais baixas que aquelas que apresenta Algeciras e até 52% mais baixas que as de Valência».