«É uma evidência que o crescimento económico, além de outros factores, depende do grau de desenvolvimento dos países. Nas áreas subdesenvolvidas do globo, por exemplo, o crescimento económico é limitado, devido, em muitos casos, à falta de educação, de formação profissional, de competência na utilização das novas tecnologias e também de infra-estruturas básicas, indispensáveis ao desenvolvimento económico.

No entanto, nos países dotados de infra-estruturas modernas e adequadas, que permitem a exploração das riquezas locais, a industrialização desenvolve-se mais rapidamente e o capital estrangeiro aparece mais facilmente, o que, sem dúvida, poderá funcionar como um incentivo para aumentar as actividades económicas.

Nesta perspectiva, talvez possamos dizer que o crescimento económico apoia o investimento na educação e formação profissional e que o desenvolvimento industrial contribui para um crescimento mais rápido do Produto Interno Bruto. Sendo assim, também melhorará o bem-estar social e económico dos respectivos países. Em todo o caso, lembramos que sem investimento não há crescimento económico, nem bem-estar social.

Em Portugal, verifica-se actualmente uma estagnação no desenvolvimento económico e um retrocesso nas exportações e no crescimento económico, dando a ideia de que os portugueses não têm capacidade para alterar este ruinoso processo, nem para exigir responsabilidades aos governantes, pelas erradas decisões que tomam, as quais, normalmente, lesam os interesses económicos e estratégicos do nosso País.

Em muitos casos, a falta de competência e de conhecimentos sobre economia e transportes tem sido, ao longo do tempo, um dos maiores contributos para a humilhante pobreza de milhões de portugueses, para o desemprego de milhares de trabalhadores e para a perniciosa situação de falência em que o nosso País se encontra.

Além da ausência de preparação para exercerem funções governativas, uma das características mais evidentes de muitos governantes é a auto-suficiência. Ou seja, não precisam nada de ninguém. Eles sabem tudo. Não têm nada a aprender, nem com os estrangeiros nem com os filhos da nossa terra. Eles são os maiores, em paleio falacioso e demagógico…

Curiosamente, também não escondem a sua fanfarronice e o seu verbalismo trauliteiro. Berram e fazem birras, especialmente quando são confrontados com os seus erros. É uma atitude que pode ser oriunda de um tipo de ditadura egocêntrica, que não respeita os opositores nem reconhece os seus erros. Esta estirpe de arrogância, no entanto, poderá custar demasiado caro aos Portugueses.

Portugal tem hoje governantes que desprezam a experiência alheia, que têm sempre uma desculpa para a sua teimosia e ignorância, que menosprezam os contributos dos seus opositores, que não aceitam que gastam demais, que fazem perder tempo e muito dinheiro, só porque não são humildes para seguir o exemplo daqueles que sabem muito mais do que eles. Tal como fazem os arrogantes, preferem continuar nas trevas do seu mundo subterrâneo.

Talvez por todas estas razões, os dados do INE do primeiro trimestre de 2016 revelam uma preocupante quebra nas exportações e uma queda no investimento. E o mais grave nesta situação, é que a variação homóloga do PIB passou de 1,3% no quarto trimestre de 2015, para apenas 0,8%, nos três primeiros meses de 2016.

Tudo isto mostra que a economia está a caminho duma derrapagem, para não dizer que já está em plano inclinado. Por alguma razão, Portugal é o terceiro país da zona euro com um crescimento do PIB em cadeia mais baixo e o segundo país com um pior crescimento homólogo. Uma realidade negada pelo primeiro-ministro António Costa, mestre em negar tudo o que lhe possa trazer dissabores, ou desavenças com os seus parceiros PCP e BE.

Portugal não tem dinheiro para investir na modernização de infra-estruturas aeroportuárias, portuárias e ferroviárias, nem governantes para fazer reformas estruturais indispensáveis para que possa haver investimento estrangeiro e crescimento económico. Ou seja, o nosso País está num beco sem saída, cercado por incompetentes e governantes sem sentido de Estado.

O INE, Instituto Nacional de Estatística, também revelou que o desemprego aumentou pelo segundo trimestre consecutivo, afectando 12,4% da população. No primeiro trimestre de 2016, havia 640.200 pessoas desempregadas e menos 42 mil activos do que no trimestre anterior. Ou seja, a derrapagem da economia anda de braço dado com o desemprego.

A presidente do Conselho de Finanças Públicas afirmou, recentemente, que Portugal tem “uma dívida externa muito elevada, uma das mais altas do mundo em termos proporcionais.” Além de lembrar que “somos um país altamente vulnerável”, Teodora Cardoso afirmou que as medidas definidas no Programa de Estabilidade deste Governo, são de “aumento do défice e não de redução.”

O Banco de Portugal também confirmou que a dívida pública atingiu os 233 mil milhões de euros, no passado mês de Março. Uma dívida pública monstruosa, equivalente a 128,9% do Produto Interno Bruto nacional, para ser paga pelos contribuintes e pelas gerações vindouras.

Para que esta situação pudesse ser revertida, seria necessário que o Governo de António Costa tivesse um ministro das Finanças competente e um ministro da Economia com capacidade para apoiar as empresas exportadoras e para desenvolver medidas que promovessem e atraíssem o investimento estrangeiro, de modo a que fosse possível aumentar o crescimento económico e reduzir o desemprego.

Porém, o ministro Caldeira Cabral, um académico sem experiência da economia real e da vida empresarial, é mais uma figura decorativa deste Governo. É um ministro que denuncia uma imagem de muita fragilidade e que, por ser um teórico, mostra não ter vocação para o cargo que exerce, nem capacidade para desenvolver a economia nacional e ajudar as empresas a criarem mais riqueza e mais emprego.

Considerando que Portugal está mais descapitalizado, seria de esperar que o Governo tivesse a preocupação de atrair investimento estrangeiro, para que fosse possível aumentar as exportações e diminuir as importações, de modo a equilibrar a balança de pagamentos e a melhorar o Produto Interno Bruto. Porém, a sua preocupação tem sido apenas de reverter todas as reformas feitas pelo Governo anterior.

Talvez por isso, o investimento público em 2016 vai ser inferior ao que foi realizado em 2015. As empresas também estão mais endividadas e sem capital próprio para investir. Os dados do INE mostram que, sem investimento, não haverá crescimento nem redução de desemprego. O INE também põe em evidência a queda das exportações no primeiro trimestre de 2016, devido à falta de investimento e à errada decisão do Governo em promover o consumo interno, em detrimento das exportações.

Segundo o economista João César das Neves, “a economia está estagnada, com o investimento e a poupança em mínimos históricos e um crescimento anémico.” O economista Filipe Garcia também realça que “o modelo de crescimento baseado na ideia de tentativa de promoção do consumo privado, está a mostrar as suas limitações.” Ou seja, António Costa está a levar Portugal à ruína financeira, tal como fez o seu amigo e camarada José Sócrates, em 2011.

Nos transportes, a situação é muito semelhante ao que se passa na economia. Toda a gente sabe que o sucesso dos transportes depende do sucesso da economia. O mesmo acontece em relação ao seu eventual fracasso. Economia e transportes andam de braço dado, parecem irmãos gémeos. Estão interligados, no sucesso e no fracasso.

Segundo o INE, o tráfego de mercadorias em Portugal cresceu em 2015. As empresas de transporte rodoviário movimentaram 149 milhões de toneladas. Nos portos, verificou-se um recorde absoluto de 86,96 milhões de toneladas. Na ferrovia, foram registadas 11,1 milhões de toneladas. O transporte aéreo, com apenas 147,2 mil toneladas, teve uma quebra de 2,1% na carga e no correio processados nos aeroportos nacionais.

Ao arrepio do interesse nacional, os transportes são menosprezados pelo Governo de António Costa, que não criou um Ministério, ou uma secretaria de Estado dos Transportes. Por isso, os transportes estão hoje dispersos por vários Ministérios, onde não há conhecimentos sobre esta indústria e respectivas infra-estruturas.

Uma situação que, entre outras coisas, revela a arbitrariedade e o desprezo deste Governo pelos transportes de mercadorias, pelas suas infra-estruturas, pelo crescimento e desenvolvimento económico, pelas finanças públicas, pelos empresários privados e pelo futuro de Portugal e dos Portugueses.