«Para o sector de transportes e logística o problema do Brexit é, à primeira vista, secundário do ponto de vista estrito da saída da UE , já que o UK representa como destino, somente 9% das exportações portuguesas.
Numa análise mais profunda o problema é muito grave, já que estamos perante uma conjunção de factores adversos que se potenciam mutuamente. A incerteza sobre o futuro que o Brexit projecta em todos os países membros da UE bem como no resto do mundo, afectando globalmente os investimentos e como consequência óbvia, o crescimento das economias, tanto da UE como fora dela, é na realidade uma situação gravíssima.

Num mundo em que a incerteza reina desde 2008, com uma recuperação incerta da crise financeira e com o crescimento a progredir qual caracol com calmantes particularmente na UE, este Brexit introduz um factor adicional de incerteza sobre o futuro, que dispensaríamos de bom grado.

Depois de um ano de 2015 brilhante no que se refere a exportações portuguesas, no qual se registou um crescimento notável das exportações relativamente a 2014 para quase todos os países, com as excepções de Angola e Brasil pelas razões que se conhecem, já se previa um abrandamento acentuado das exportações em 2016, para números semelhantes ou abaixo de 2014, mesmo sem Brexit e devido à crescente estagnação da economia mundial, o que é extremamente preocupante para o nosso sector.

Em termos de tendência, o Brexit, se se materializar, vai quanto muito aumentar a incerteza e a tendência já fortemente negativa que as nossas exportações evidenciavam no corrente ano relativamente a 2015, o que certamente produzirá efeitos bastante graves no crescimento do volume de negócios das empresas em geral.

A incerteza é o principal factor de bloqueio ao investimento e à implementação do pensamento estratégico nas empresas, o que obviamente afecta o crescimento das empresas e da economia, já que em clima de incerteza, em vez de implementar medidas ou tomar decisões estratégicas, as empresas optam geralmente por tomar medidas tácticas de curto prazo, que as protejam contra essa mesma incerteza. Estas medidas são na maioria dos casos, medidas restrictivas de toda a ordem, de modo a preparar as empresas para o ‘embate’, caso o pior cenário projectado se torne realidade. O crescimento da economia e, por consequência o emprego serão sempre os principais prejudicados por medidas deste tipo.

Mesmo neste panorama sombrio com a conjunção dos factores antes descritos, a GEFCO lançou vários planos de acção para o desenvolvimento dos seus mercados alvo, pelo que, apesar da apreensão que a actual conjuntura provoca, estamos convictos acerca do cumprimento dos nossos objectivos em 2016.»

Por Jorge Possollo, Director Geral da GEFCO Portugal